sábado, janeiro 07, 2006

Talvez


Estou sempre em mudança
a caminho de acolá.
Não sei porque dança
a minha mente, maná

de esoterismos milhentos.
Procuro mentiras fáceis,
talvez. Procuro pôr acentos,
de vez, nas horas a mais,

talvez. Não procuro nada,
e isso aflige-me. Talvez.
Talvez pão, talvez empada,
talvez, talvez, talvez...

Por fermentar desta incerteza,
o centeio da minha vivência,
e talvez, quem sabe, a beleza
de um sabor meu em conivência

com a demanda que acarreto.
Mas talvez, quem sabe, seja
este mesmo fervilhar no espeto
o fermento que o poema almeja -

talvez, quem sabe, o português
da minha voz quando interrogada.
talvez, talvez, talvez...
Calo-me farto da encruzilhada.